O Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (SIMEGO), vem a público manifestar veemente repúdio às declarações proferidas pelo Coordenador de Exames Médicos do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (DETRAN-GO), Sr. Abílio Maranhão, que, em áudio amplamente divulgado, referiu-se aos profissionais médicos credenciados a este órgão como “medicozinhos” ao comentar sobre o movimento paredista atualmente em curso, conforme descrito a seguir: “Pois é, doutor. Mas na verdade o reajuste não teve ainda por causa destes medicozinhos aí que quiseram fazer greve, né? Porque o Governador já tinha falado pra eles que iria conceder o aumento e pediu o prazo de 30 dias. Não deram e fizeram a greve, né? Os 30 dias já teriam até passado, né? E com paralisação eles não vão conseguir absolutamente nada, tá. As reuniões que a gente já teve com o governador, com paralisia não vai acontecer nada. “
Tal expressão é inaceitável e demonstra profundo desrespeito e desprezo pela categoria médica, que diariamente se dedica a atender a população goiana com responsabilidade, ética e compromisso. A tentativa de diminuir esses profissionais por meio de adjetivos pejorativos não condiz com a seriedade que deve pautar a atuação de um gestor público e afronta diretamente a dignidade da medicina e dos médicos credenciados ao DETRAN-GO.
Cumpre esclarecer que a decisão pela deflagração do movimento paredista foi fruto de deliberação legítima em Assembleia Geral Extraordinária Permanente, convocada e realizada em conformidade com todos os ritos legais. A mobilização surgiu diante da ausência de respostas formais às pautas apresentadas pela categoria, mesmo após reiteradas tentativas de diálogo institucional.
No mês de julho do corrente ano, foi realizada reunião com representantes do DETRAN-GO, da Secretaria de Estado de Administração de Goiás e com o Vice-Governador, à época no exercício do Governo do Estado, na qual foram debatidas as reivindicações dos médicos credenciados. Contudo, não houve a apresentação de qualquer documento formal ou oficial que demonstrasse efetivo compromisso com a solução das demandas.
Desde o início do movimento, fica evidente que os médicos credenciados ao DETRAN-GO sempre conduziram suas ações com responsabilidade, prudência e boa-fé, adotando uma postura de diálogo e negociação com os órgãos públicos envolvidos. A opção inicial por paralisações curtas, em caráter de advertência, demonstra claramente que a categoria buscava sensibilizar as autoridades e abrir espaço para uma solução consensual, evitando ao máximo qualquer prejuízo à população usuária dos serviços.
O caráter escalonado das medidas evidencia que estes profissionais não se furtaram ao dever de dialogar e de conceder tempo hábil para que o Poder Público apresentasse respostas concretas às reivindicações apresentadas. Primeiro, uma paralisação de 48 horas; em seguida, após a ausência de avanços, uma nova paralisação de 72 horas; somente depois de reiteradas tentativas frustradas de negociação, deliberou-se pela paralisação por tempo indeterminado. Tal conduta é prova inequívoca da seriedade e do compromisso da categoria em buscar a solução dos impasses de forma democrática e transparente.
A todo momento, portanto, os médicos credenciados se mostraram aptos e dispostos a dialogar, evidenciando respeito às instituições públicas e demonstrando que o interesse maior sempre foi encontrar uma solução justa e equilibrada para todas as partes. A deflagração do movimento paredista, longe de ser um ato intempestivo ou precipitado, foi a consequência inevitável da ausência de respostas formais e oficiais por parte do Estado.
O SIMEGO exige, de maneira firme e inadiável, uma retratação pública imediata por parte do coordenador Abílio Maranhão, considerando que suas declarações ultrapassam os limites do aceitável e configuram grave ofensa à honra e à dignidade dos médicos credenciados ao DETRAN-GO. Tais manifestações não apenas desrespeitam os profissionais individualmente, mas também atacam a categoria como um todo, comprometendo a credibilidade de uma classe que desempenha papel essencial para o funcionamento das políticas públicas de trânsito e para a segurança da população goiana.
É dever de qualquer autoridade, sobretudo no exercício de funções públicas, pautar-se pelo respeito, pela urbanidade e pela responsabilidade institucional. A utilização de termos pejorativos e depreciativos contra médicos não pode, em hipótese alguma, ser normalizada ou relativizada, pois fere os princípios básicos de convivência democrática e de valorização do serviço público.
Diante disso, esta entidade sindical cobra do DETRAN-GO a adoção de providências administrativas exemplares para que manifestações de tal natureza jamais se repitam, seja por este ou por qualquer outro gestor. O silêncio ou a omissão do órgão diante de declarações ofensivas significaria conivência com o desrespeito, o que é absolutamente inadmissível.
A dignidade dos médicos credenciados não será diminuída por falas desrespeitosas ou tentativas de desqualificação, e será defendida de forma intransigente. Reiteramos que o respeito aos profissionais médicos é condição mínima e inegociável para a continuidade de qualquer diálogo institucional sério, e que a retratação deve ocorrer de forma imediata, pública e inequívoca, sob pena de aprofundar ainda mais o desgaste já existente entre a categoria e a administração pública.
Goiânia, 28 de agosto de 2025
Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás – SIMEGO
Franscine Leão – Presidente do SIMEGO




